segunda-feira, 16 de março de 2009

Um Índio mascou folha de coca nas Nações Unidas


"A folha de coca não é cocaína, não é nociva para a saúde, não provoca males físicos nem dependência"

Evo Morales, presidente da Bolívia


Quando em 1961 os ministros da Comissão de Narcóticos das Nações Unidas incluíram a folha de coca na lista de entorpecentes proibidos pelas convenções internacionais, não havia nenhum presidente, seja da Bolívia, Colômbia ou Peru - os três maiores plantadores de coca - que questionasse a decisão e elucidasse para a mesma comissão que folha de coca não é cocaína. Isto porque, na época, não tinha nenhum presidente que representasse a identidade dos povos andinos.

Dá pra imaginar um nordestino, aqui no Brasil, sem plantar e comer mandioca e sua mais deliciosa derivação, a tapioca? Dá pra imaginar um gaúcho sem plantar a erva-mate de onde faz seu chimarrão? Pois é... As folhas de coca fazem parte da cultura dos povos indígenas andinos há três mil anos. Mas a necessidade de mascar a folha de coca vai além das questões culturais. Devido a altitude elevada dos Andes, a coca é utilizada, desde a época dos incas, como estimulante natural que ajuda a respirar melhor. Ou seja, mascar folha de coca é também uma questão de bem-estar e qualidade de vida. Por isso, na última reunião da Comissão de Narcóticos da ONU, em Viena, Evo Morales, presidente da Bolívia, mascou a tal folhinha inofensiva para mostrar que coca não é cocaína, não é droga, não causa dependência e pediu a retirada da folha de coca da lista de entorpecentes. Morales disse ainda que enviará uma carta ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, explicando a importância da coca para os povos andinos.

Se existe algo a combater, não é o cultivo da folha e sim a indústria de narcóticos criada pelo homem branco "civilizado" que inventou a cocaína, a coca-cola, entre outras drogas. Além do mais, deve-se respeitar a soberania de cada país, sua cultura e política. Mas isso não parece constar nos princípios da ONU, pelo menos na prática...

6 comentários:

Moacy Cirne disse...

Concordo com você: a cocaína e a coca-cola não passam de drogas criadas pelo consumismo... Gostei muito da postagem em pauta.

Um beijo.

Jens disse...

Oi combativa Sandrix.
Você foi direto na veia: o problema não é a folha de coca, mas o que fazem com ela os barões da droga. Estes é que precisam ser combatidos e não os cocaleiros bolivianos. Porém, combater diretamente o baronato mexe com poderosos interesses financeiros. Assim, dá-lhe hipocrisia...
Um beijo.

Cris disse...

Oi, Sandra,

Gostei do teu posicionamento, garota. E as demais drogas humanas e políticas? Precisamos de uma depuração, linda.

beijão.

Miguel Pedrosa disse...

Viva Che! Viva Fidel! Viva Sandino! Viva Farabundo Martí! Viva Rafael Correia! Viva Hugo Chaves! Viva Lula! E Viva Evo Morales! Lembrando... O nosso guaraná... O chocoatl dos Astecas... O café dos Etíopes... O chá verde dos Chineses... Não teriam o mesmo efeito dd mascar da folha de coca? E Agora? Será que a comissão de narcóticos da ONU também os rotularão de droga? Eles pensam que somos bestas... Como a folha de coca ainda foge do processo capitalista legal de comercialização e consumo, o sistema logo rotula de "Droga!"... Eles pensam que somos bestas... Beijo grande pra tu Sandrinha!

Marcelo F. Carvalho disse...

Ótima postagem, Sandra! Evo é um homem de culhão e, ao contrário de muitos governantes, não tem medo ou vergonha da sua origem.
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Abraço forte!

lau siqueira disse...

Fazia um tempo que eu nao desfrutava do teu refugio. Sim, si... "e aquilo que nesse momento se dira aos povos"... e que nossas culturas são as nossas mais exatas fronteiras. beijos