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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

um cheiro


sinto falta de odores
talvez um jarro de flores
em minha mesinha, anulasse essa ausência

gosto de cheiro que carrega lembranças
mas me intriga não lembrar o teu...
preciso te cheirar mais um pouco
inventar um perfume carregado de ti
de nós, de nossa alcova

enquanto isso, leio Anna Akhmátova  
e contento-me (há dois dias)
com esse cheirinho de livro novo

sábado, 1 de dezembro de 2012

lembrando nós dois


hoje você bem que podia
me chamar pra sair, pra trepar
eu bem que podia
hoje amanhã depois
te roubar um beijo
te chamar pra sair
me exibir nua no espelho, trepar

você dizendo que eu me transformo
noutro ser quando dou meu lado b
você sem grana mas fazendo questão
de pagar o motel
(tão bobo esse seu lado machista)

hoje a gente bem que podia
mas você já voltou pra São Paulo
e eu te falei que vou torcer pra tudo dar certo

só não esqueça que a minha saudade lateja e molha, tá?


segunda-feira, 28 de julho de 2008

se minha bolsa falasse...

Certa vez um rapaz, ao observar o conteúdo de minha bolsa, comentou: "bolsa de mulher é tudo igual, cheia de coisas supérfluas". Ele falou de um jeito que não me deixou irritada, pelo contrário, até achei graça.

Hoje, mexendo em minha bolsa, me lembrei dele e de sua frase. Fiquei pensando quão relativo é o conceito de "coisa supérflua" que varia, não apenas, de pessoa para pessoa como também de acordo com a situação. Por exemplo, para que serve acumular em minha bolsa tantos folhetos que recebo na rua? Aparentemente não serve pra nada. Mas tem momentos que o verso em branco do folheto serve de rascunho, seja para anotar o telefone de alguém, seja para anotar o nome do livro que descobri na livraria e fiquei a fim de comprar, ou simplesmente serve pra escrever um poema. Acredita que eu já fiz um poeminha, em pé, na fila de um banco?

Se minha bolsa falasse, talvez recitasse poesias.

Eu poderia escrever tudo na minha agenda, é verdade, mas como ela é pesada poucas vezes a levo na bolsa, prefiro deixá-la em casa. Mas voltando aos folhetos, nem sempre conservo-os na bolsa pra servir de rascunho. Também guardo porque gostei da arte, da diagramação, principalmente os que anunciam festas - sempre divertidos - e os que divulgam exposições de arte. Muitas vezes não vou às festas, perco a exposição mas guardo o folheto.

Se minha bolsa falasse, seria uma ótima anunciante de eventos festivo-culturais.

Mas minha bolsa também carrega ingressos de cinema usados (super supérfluo), boletos bancários (pagos e não pagos), notas de compra - qualquer nota, seja a do pão da padaria ou da calcinha de algodão que eu comprei numa promoção das Lojas Americanas. A bichinha (ela, minha bolsa) às vezes também serve de guarda-lixo porque eu sou daquelas que, não encontrando uma lixeira na rua, enfia o lixo dentro da bolsa, tadinha... Minha bolsa deve ter horror ao fato de sua dona ser politicamente correta. E por falar em "politicamente...", seja em manifestações de ativismo ou em época de eleições, ela (a bichinha, minha bolsa) se enche de panfletos. Então eu digo a ela: "Vamos lá, companheira, à luta!"

Se minha bolsa falasse, gritaria palavras de ordem - às vezes, desordem.

Mas não só de papelada se enche minha bolsa. Nela também carrego minha carteira vermelha, meu porta-níquel de pelúcia rosa-choque, chave de casa, óculos escuros e outro de grau, celular, caneta, batom, escova de dente, um pente, filtro solar (mas acabou...), porta-absorvente, às vezes camisinha e lubrificante íntimo, muito útil em casos de sodomia.

E aquela frase daquele rapaz - sim, aquela mesma, do início desta crônica - foi proferida justamente enquanto ele procurava em minha bolsa o tal lubrificante. Naquele momento de urgência em saciar o desejo, devo concordar com ele: quase tudo em minha bolsa era supérfluo.

E se minha bolsa já tem uma alma feminina, certamente sentiu prazer ao toque das mãos másculas daquele rapaz que, despudoradamente, explorou-a e vasculhou-a ainda úmida da chuva na qual a fizera mergulhar comigo, a caminho do hotel, numa noite de razão supérflua.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

rastros

um poema deve ser borrado
como se borra a boca de batom
num beijo...
um poema deve ser bem melado
como num coito desaforado...

um poema de amor foi encontrado
nu
em motel barato
lambuzado
de batom e porra...

domingo, 9 de março de 2008

de sax e de trompete

Era uma dessas tardes de domingo melancólico. Ela não queria conversar. Estava sem atenção para qualquer leitura. Nem tinha grana para ir ao cinema. Pôs Kind of Blue no toca-discos e deitou na cama. Lembrou-se dele, daquele homem, amigo, amante querido. Ligou para ele:
- Posso ir até aí?
- Vem... - disse ele.
Aquela voz masculina, suave e calma, deixou-a mais leve, tranqüilizando sua alma inquieta. Levantou-se, trocou de roupa e foi à casa dele. Estava sozinho, ouvindo um som e fumando unzinho. Beijaram-se e fuderam a tarde inteira. Ele não lhe fez perguntas, não lhe deu conselhos, não pronunciou julgamentos. Pôs para tocar o disco do Miles que ela havia lhe presenteado recentemente e deitados na cama, colados um ao outro, ele a admirava observando-a fazer a distinção entre os sons do sax-tenor (John Coltrane) e do trompete (Miles Davis). Algo que ele ainda fazia com dificuldade. E ele a amava por isso.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Bebi seu vinho amargo -
numa ânsia de prazer
machuquei seus bagos...
pperdão, amor, perdão...

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Nestes dias ninguém pode aferrenhar-se naquilo de que “é capaz”. Na improvisação está a força. Todos os golpes decisivos são desferidos com a mão esquerda.
(Walter Benjamin. Rua de Mão Única)
Poemas
PUDOR

à mesa do bar
você tem seus pudores
e nega-me
a língua na boca
mas por debaixo da mesa
sua mão não se acanha
enquanto minhas coxas
morrem de vergonha

ORIENTE-SE

não se norteie
se oriente
porque qualquer Sushi é preferível
a um Mcfish infeliz
e tem mais
e tem mais


@@@@@@@@@@@@@@@@@@

E Hoje, GUERRA NAS ESTRELAS faz 30 anos. Meus personagens preferidos: Obi-Wan Kenobi, encarnado pelo grande e saudoso Alec Guiness; Han Solo, interpretado pelo belo e sempre charmoso Harrison Ford; Mestre Yoda, que mais parecia um mestre budista, com sua sabedoria milenar, sempre falando em versos; R2D2 e C3PO, os robôs; e naturalmente o grande astro da trilogia (na realidade 2 trilogias), o Sabre de Luz ... uoooommm uoooommm uoooommm. Inesquecível! Adorava, adorava, adorava.
Que A Força esteja com vocêsA propósito, por que só existem Cavaleiros Jedi? Sempre sonhei em ser uma Amazona Jedi.
Não é justo não é justo não é justo...


PS: Meus queridos e minhas queridas,
Muito obrigada, muito obrigada mesmo pelas palavras de carinho e força. E Vais, vê se aparece mais né, mulher? ;)

Beijos
e
Aquele Abraço!
*
*
*"Você deve esquecer o que aprendeu"
(Mestre Yoda)

terça-feira, 10 de abril de 2007

tua gala

não adianta lavar
vem de dentro
esse cheiro
esse leite
esse alimento
que injetaste
no meu corpo
há pouco tempo