domingo, 12 de dezembro de 2010

um francês com alma latinamericana


Sábado passado comprei o mais recente disco de estúdio de Manu Chao, La Radiolina (radinho em italiano ou rádio de bolso) de 2007. Amei logo na primeira audição. Gosto demais da música desse francês, filho de pais espanhóis, que mistura punk com ritmos latinos, rap, reggae, flamenco e o que vir/ouvir pela frente, sem preconceito. Antes de seguir carreira solo Manu Chao teve várias bandas, a mais famosa foi a Mano Negra (uma homenagem a La Mano Negra, uma suposta organização anarquista espanhola do séc. XIX) formada por integrantes de várias nacionalidades. Em 1992, com a Mano Negra, Manu Chao fez uma turnê nada convencional pela América Latina: viajaram de barco ao lado de atores circenses, apresentando-se em várias cidades portuárias. Em 1995 a Mano Negra acabou e Manu Chao voltou a viajar pela América Latina com seu violão. Clandestino, seu primeiro disco solo, foi resultado dessas viagens.

Ahora ya basta de dados biográficos, não quero me alongar. Mas achei pertinente falar um pouco da origem e da vida de andarilho de Manu Chao porque explica como esse europeu, esse francês, se tornou tão latinamericano.

Manu Chao viajou pela América Latina não como aquele jovem médico argentino que um dia saiu de casa com um amigo e uma motocicleta chamada La Poderosa, e que mais tarde se tornou um revolucionário. No entanto a intenção da viagem não diferia muito daquele: assim como Che, Manu Chao queria conhecer a América Latina, sua pobreza, suas mazelas, mas também sua riqueza cultural e sua alegria! E a música de Manu Chao é uma festa! ainda que permeada de melancolia, nada mais natural, na vida como na arte... Mas Manu Chao também é indignado, punk mesmo, no melhor estilo The Clash, assim como Fred 04 e sua mundo livre s/a. Por sinal existe muita semelhança entre os dois, nem tanto musical mas na postura punk, insurgente. O bacana é que ambos são punks com suingue, groove, punks calientes e emotivos, graças a essa mistura que é a América Latina - América indígena, negra, moura e européia, tudo junto misturado.

Parafraseando o mais doce revolucionário das Américas, acho que posso afirmar que Manu Chao segue o lema:

Hay que ser punk pero sin perder la latinidad, jamás!

Ah, bom lembrar que a banda de apoio de Manu Chao chama-se Radio Bemba Sound System,  uma alusão à Rádio Bemba (sistema de rádio rural) utilizada por Che e Castro em Sierra Maestra durante a Revolução Cubana.

Seguem o vídeo e a letra da segunda faixa de La Radiolina: Tristeza Maleza. Não se acanhe se der vontade de chorar...



Tristeza Maleza 
(Manu Chao)

El nada en el mar
Ella nada en el mar
Todo nada en el mar
Como una raya(x2)
Infinita tristeza
Late en mi corazon
Infinita tristeza
Escaldada passion
Infinita pobreza
Tu sombra en la pared
Infinita tristeza
Viento de Washington
Y Choré
Infinita tristeza...
Infinita tristeza
Viento de washington
Infinita pobreza
Tu sangre en la pared
infinita maleza
escaldada passion
Y choré...
Infinita tristeza...

Infinita tristeza
Late en mi corazon
Infinita pobreza
Tu sangre en la pared
Infinita tristeza
Infinita tristeza
El nada en el mar
Ella nada en el mar
Todo nada en el mar
Como una raya

Fonte dos dados biográficos: Wikipedia

5 comentários:

José Sousa disse...

Querida Sandra, obrigado por me dar a conhecer este cantor e qu o faz conhecer como o meu grande idolo "Ché".

Gostei deste artista, da sua postagem e de seu blog.

Um beijão

Halem Souza disse...

Por aqui, retribuindo as visitas que gentilmente fez lá pelas plagas do Sinistras.

Foi um amigo, verdadeira enciclopédia musical pop, que me apresentou o Mano Negra (mas da carreira solo de Manu Chao nada conheço, a não ser o que ouvi aqui).

Tornei-me seguidor. Volto mais vezes.

Um abraço.

sandra camurça disse...

José, Manu Chao é ótimo! grata pela visita.
um abraço

Halem, ao contrário de você nunca ouvi a Mano Negra. Bem-vindo ao refúgio!
um abraço

fernando cisco zappa disse...

manu é chao!

a simplicidade de sua musicalidade
e tão grande quanto
a complexidade étnica
de suas incursões culturais e a generosidade ética com que ele semeia essa diversidade...


abraços mui ternos minha cara!

fernando

sandra camurça disse...

Fernando, a tua presença aqui é um baita abraço! ;)
um abraço, querido