Holy Motors, o filme mais estranho que vi nos últimos tempos.
Bizarro, barroco, surrealista, existencialista, entre outras coisas.... Bem, como crítica de
cinema, sou uma ótima costureira, rs... mas vi tudo isso no filme.
Poderia ter selecionado outras cenas do filme, como a do acordeon (belíssima tbm) mas esta me encantou esteticamente, pelo efeito lúdico!
Dá uma olhada! Melhor ver no modo tela cheia porque a imagem é escura.
Ah, recomendo o filme! É bonito, criativo, ótimos atores, fotografia e roteiro de primeira mas, repito, é estranho, muito estranho...
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quinta-feira, 7 de março de 2013
sábado, 19 de janeiro de 2013
imperdível!
De uns tempos pra cá, deixei de ver sentido em fazer qualquer tipo de resenha sobre um filme ou um disco. A não ser que tivesse algo de muito significativo a dizer.
Vi O Som ao Redor no final de semana passado e acho que nem preciso dizer que gostei um bocado.
O filme mostra tensão, medo, barulho de todo tipo que tem nas cidades. Além de mostrar a origem do comportamento prepotente da nossa elite urbana.
Tenho muito orgulho do cinema que tem sido feito em Pernambuco, muitos baseados na realidade cotidiana das pessoas e sempre premiados em festivais nacionais e internacionais. O Som ao Redor é mais um a se destacar, seja pelo roteiro, pela qualidade da fotografia, edição e, em especial, o som com ruídos e trilha sonora de DJ Dolores. Como disse o próprio Kleber Mendonça Filho, "o som é 50% do filme". Pois o som é um dos principais responsáveis pela tensão e suspense do filme.
Se puder, assista! Já está em cartaz na maioria dos cinemas das capitais brasileiras.
domingo, 8 de julho de 2012
sábado, 9 de junho de 2012
Recife Frio...
Imagine uma cidade quente-úmida, com temperatura média anual de 26°C, com um mar de água quentinha (e alguns tubarões...), céu azul de verão e que, de repente, em questão de minutos, torna-se fria, com temperatura variando entre 4°C e 15°C. Um fenômeno supostamente causado pela queda de um meteorito numa praia durante um luau...
Esse é o mote do curta-metragem Recife Frio do jornalista, crítico de cinema e cineasta pernambucano Kléber Mendonça Filho. Uma ficção nonsense cheia de humor e crítica social. Para tornar o causo verossímil, Kléber lançou mão da idéia de fazer do curta uma pseudo-reportagem realizada por uma TV argentina sobre a estranha mudança climática de Recife. Isso me fez lembrar imediatamente, logo nos primeiros minutos do filme, de Orson Welles e sua transmissão radiofônica A Guerra dos Mundos, que relata uma falsa invasão marciana na Terra.
O história de Recife Frio poderia estar ambientada em qualquer outra cidade quente do Brasil, pois os males sociais das cidades brasileiras são os mesmos. Quem é recifense delicia-se de maneira especial com o filme porque há referências à cidade que só a gente conhece como, por exemplo, duas torres de apartamentos de luxo muito criticadas por urbanistas e uma parcela crítica da população, por terem sido construídas num local inadequado, interferindo negativamente na paisagem da cidade. No filme, essas duas torres aparecem grafitadas - sonho de qualquer grafiteiro e de quem tem vontade de implodi-las mas não pode... Ou o letreiro luminoso no prédio da prefeitura que diz : "a grande obra é aquecer as pessoas", uma brincadeira com o slogan da prefeitura: " a grande obra é cuidar das pessoas". Além disso há no filme outras situações bastante cômicas pelo absurdo que retratam, como o aparecimento de pinguins numa praia onde se esperava encontrar golfinhos!
Recife Frio tem qualidade técnica e artística impecável. Foi exibido, ovacionado e premiado no Festival de Brasília -2009 (melhor filme, direção e roteiro) e de lá pra cá já recebeu mais de 20 premiaçãoes em vários festivais. Perdi algumas oportunidades de assiti-lo mas este ano Kléber Mendonça Filho disponibilizou o curta no youtube! Fiquei bem feliz, adorei o filme e decidi compartilhar com vocês. O filme tem pouco mais de 20min. Não deixem de assistir quando tiverem um tempinho. (Texto meu reeditado).
domingo, 1 de abril de 2012
Viagem à Lua com amour, imagination et rêve...
Viagem à lua (Le Voyage dans la Lune - 1902) é um clássico do cinema mudo, considerado um dos precursores das ficções científicas no cinema. Baseado no romance de Julio Verne, Da Terra à Lua, o filme do francês Georges Méliès foi colorizado posteriormente com uma técnica manual onde os negativos são pintados quadro a quadro. Durante décadas desaparecido, uma cópia desse trabalho foi encontrada na década de 90. E em 2011 a obra foi lançada no Festival de Cannes com uma trilha sonora composta pela dupla francesa de música eletrônica Air - iniciais de amour, imagination e rêve (amor, imaginação e sonho). Não contentando-se em apenas sonorizar o filme, a dupla fez uma trilha sonora com quase o dobro do tempo com um instrumental que não se restringe ao eletrônico - banjo, mellotron, piano, guitarra, bateria acústica e percussão compõem essa linda trilha para um clássico que tem influenciado gerações.
O filme, com pouco menos de 16 minutos, pode ser visto na íntegra aqui. Quem ama cinema não pode deixar de assisti-lo!
Segue uma palhinha com a música Sonic Armada do Air.
Nunca tinha visto Viagem à Lua, fiquei encantada... a música do Air funcionou maravilhosamente! E ainda me lembrei de dois clips de música lindos: Tonight Tonight do Smashing Pumpkins (que faz referência direta à Viagem à Lua); e Busca Vida dos Paralamas do Sucesso. Os dois estão aí embaixo pra vocês conferirem.
O filme, com pouco menos de 16 minutos, pode ser visto na íntegra aqui. Quem ama cinema não pode deixar de assisti-lo!
Segue uma palhinha com a música Sonic Armada do Air.
Nunca tinha visto Viagem à Lua, fiquei encantada... a música do Air funcionou maravilhosamente! E ainda me lembrei de dois clips de música lindos: Tonight Tonight do Smashing Pumpkins (que faz referência direta à Viagem à Lua); e Busca Vida dos Paralamas do Sucesso. Os dois estão aí embaixo pra vocês conferirem.
quarta-feira, 14 de março de 2012
A Arte de Saul Bass
Sequência de créditos de abertura do filme A Volta ao Mundo em 80 Dias (1956) - baseado na obra homônima de Júlio Verne - criada por Saul Bass (1920-1996), judeu americano, designer gráfico e cineasta. Bass criou diversas dessas sequências para filmes de diretores famosos como, Hitchcock (Vertigo), Kubrick (Laranja Mecânica), Otto Preminger (O Homem do Braço de Ouro), entre tantos outros filmes e diretores.
Quem gostou pode encontrar outras sequências de aberturas de filmes criadas por Saul Bass no youtube.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
quarta-feira, 29 de junho de 2011
E se o Recife fosse frio?
Imagine uma cidade quente-úmida, com temperatura média anual de 26°C, com um mar de água quentinha (e alguns tubarões...). Céu azul de verão e que, de repente, em questão de minutos, torna-se fria, com temperatura variando entre 4°C e 15°C. Um fenômeno supostamente causado pela queda de um meteorito numa praia durante um luau...
Este é o mote do curta-metragem Recife Frio do jornalista, crítico de cinema e cineasta pernambucano Kléber Mendonça Filho. Uma fantasia nonsense cheia de humor e crítica social.
Para tornar o causo verossímil, Kléber lançou mão da idéia de fazer do curta uma pseudo-reportagem realizada por uma TV argentina sobre a estranha mudança climática de Recife. Isso me fez lembrar imediatamente, logo nos primeiros minutos do filme, de Orson Welles e sua transmissão radiofônica A Guerra dos Mundos, que relata uma falsa invasão marciana na Terra.
O história de Recife Frio poderia estar ambientada em qualquer outra cidade quente do Brasil, pois os males sociais das cidades brasileiras são os mesmos. Quem é recifense delicia-se de maneira especial com o filme porque há referências à cidade que só a gente conhece como, por exemplo, duas torres de apartamentos de luxo muito criticadas por urbanistas e uma parcela crítica da população, por terem sido construídas num local inadequado, interferindo negativamente na paisagem da cidade. No filme, essas duas torres aparecem grafitadas - sonho de qualquer grafiteiro e de quem tem vontade de implodi-las mas não pode... Além disso há no filme outras situações bastante cômicas pelo absurdo que retratam, como o aparecimento de pinguins numa praia onde se esperava encontrar golfinhos!
Recife Frio tem qualidade técnica e artística impecável. Foi exibido, ovacionado e premiado no Festival de Brasília -2009 (melhor filme, direção e roteiro) e de lá pra cá já recebeu mais de 20 premiaçãoes em vários festivais.
Perdi algumas oportunidades de assiti-lo mas este ano Kléber Mendonça Filho disponibilizou o curta no youtube! Fiquei bem feliz, adorei o filme e decidi compartilhar com vocês. O filme tem pouco mais de 20min. Não deixem de assistir quando tiverem um tempinho.
:(:(:( Moçada, fiquei triste agora, acabei de descobrir que o filme foi retirado do youtube pela própria produção do filme por questões de direitos autorais. Olha, vou dizer, fico danada da vida com isso. Até entendo que a produção, inicialmente, tenha dado preferência às salas de cinema. Também acho que o melhor lugar de filme ainda é a telona grande, a sala grande de exibição, para que o filme seja assitido em coletividade. Mas a internet possibilita o acesso de obras gratuitamente. Tem um montão de gente disponibilizando músicas, livros, textos, poesias, arte e etc. É uma questão de generosidade intelectual, eu acho...Bem, se o filme voltar ao youtube ou em outro meio que eu possa editar aqui, eu o colocarei. Vou ficar de olho! De toda forma ficou a dica, né?
segunda-feira, 28 de março de 2011
Taxi Driver de Martin Scorsese (1976) em polonês
Achei lindo lindo lindo esse cartaz do filme Taxi Driver.
Encontrei na galeria do Obvious, site que eu recomendo.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Além da Realidade - um animatrix
Entretanto, Animatrix, creio que poucos conhecem, provavelmente só os fãs de Matrix. Trata-se de um conjunto de 9 contos/animações, alguns escritos por Andy e Larry Wachowski, que combinam computação gráfica com o anime japonês. Os contos falam sobre os acontecimentos relacionados a Matrix, a guerra contra as máquinas e a posterior subjugação da espécie humana.
Dentre os meus prediletos, um especialmente me encanta pela magia e delicadeza. Chama-se Beyond, (no Brasil, Além da Realidade).O curta é a história de uma falha no sistema operacional da Matrix: um terreno abandonado com uma mansão de aspecto mal-assombrado, onde o inusitado e o impossível, para as leis da física, acontecem para alegria de algumas crianças em busca de aventura em meio a rotina de uma cidade e humanidade mecanizadas. Mas como toda falha em um sistema deve ser corrigida... Bem, não direi mais nada sobre a história, melhor é assisti-la.
Só queria acrescentar que este conto me faz pensar o quanto é lamentável quando a magia e o encanto são considerados supérfluos, se não perigosos; como um regime totalitário (no conto, representado pelo sistema operacional da Matrix) sempre se sente tão ameaçado diante de situações que fogem ao seu controle; e que o excesso de assepsia, em tudo, se assemelha às ideologias fascistas e de extrema direita. Ao assistir a animação vocês irão entender porque estou dizendo isso - ou não: afinal, cada um faz sua própria leitura.
Infelizmente, no youtube, só encontrei a versão sem legenda, mas encontrei outra, legendada, aqui: Comunidade Geek: Além da realidade.
Ah, a animação tem roteiro e direção de Kôji Morimoto. Não deixem de assistir! Só vão precisar de um pouco de paciência porque às vezes o vídeo demora pra carregar, normal...
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Superfly - trilha sonora
Um dos melhores álbuns dos chamados blaxploitations - filmes norte-americanos da década de 70 feitos para o público negro, com temática relacionada à realidade (um tanto estereotipada) dos negros. Superfly (1972) é considerado o disco mais importante de Curtis Mayfield, músico de soul e funk estadunidense, falecido em 1999.
Eu amo esse disco, é até difícil escolher uma faixa - todas são deliciosas - mas escolhi pra tocar aqui Freddie's Dead, até porque no youtube não tem muitas disponíveis.
Só um comentário: tem uma cena em Pulp Fiction de Quentin Tarantino (diretor muito influenciado pelo blaxploitation) que sempre lembro quando ouço Freddie's Dead. É a cena em que o personagem de Bruce Willis, montando em sua motocicleta, diz pra namorada: "Zed is dead, baby, Zed is dead...". Será que Quentin Tarantino tinha em mente essa música? Ou quiçá o próprio filme, Superfly? Ou sou eu que "viajo" demais?
Eis Freddie's Dead, babies, Freddie's Dead...
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
José & Pilar
Assisti sábado passado. Um belo filme sobre a relação de José Saramago (falecido em junho de 2010) e sua mulher, Pilar del Rio, e sobre seu livro A Viagem do Elefante (ainda não o li). Um filme que emociona sim mas também faz rir: Saramago, com todo seu pessimismo com relação ao futuro da humanidade, tem um ótimo humor (às vezes lembra meu pai...). Pensando bem acho que pessimistas têm repertório pra muito humor, humor inteligente e irônico.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
o cúmulo da emoção é rimar música com revolução
O desenho acima não é uma brincadeira, tampouco uma sátira. Tive a idéia de fazê-lo após assistir o programa Estados Alterados da mostra Visionários - Audiovisual na América Latina. Dentro desse programa - focado em trabalhos politicos e históricos - o vídeo do colombiano Wilson Diaz, Los Rebeldes del Sur, mostra a gravação de um projeto musical dos guerrilheiros das FARC. Lindo!E antes que alguém venha me lembrar do drama vivido por Ingrid Bittencourt, gostaria de dizer que no mesmo período em que Ingrid foi libertada, mais de 300 guerrilheiros das FARC estavam presos pelo Estado colombiano - um drama para seus familiares. Não defendo os métodos das FARC mas de uma coisa tenho certeza: seus guerrilheiros são muito mais vítimas que algozes.
Abaixo ao Estado opressor! Viva la Revolución! Viva el Socialismo!
Há quem diga que eu sou um tanto panfletária. Fazer o quê? Tá no meu DNA. Adoro panfletos, manifestos, palavras de ordem e o escambau.
Ah, a mostra Visionários já passou por São Paulo, Fortaleza, está em Recife e ainda vai passar por Belo Horizonte, Salvador, Rio de janeiro, La Paz (Viva Evo Morales!), Buenos Aires, Cidade do México e Mérida (Viva todos os índios zapatistas de Chiapas!).
Só mais una cosita, não nos esqueçamos, NUNCA, de todos os movimentos revolucionários, seja de inspiração maoísta ou marxista-leninista (atuantes ou não), da América Latina: EZLN (México), FARC (Colômbia), FSLN (Nicarágua), Sendero Luminoso (Peru), Tupac Amaru (Peru) e o nosso MST, claro! Alguém lembra de mais algum? Diz aí, então!
VIVA A AMÉRICA LATINA!!!
Hoje eu tô alteradíssima...
sexta-feira, 6 de junho de 2008
"submundo" é mundo
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Tenho ido muito pouco ao cinema, por falta de grana e tempo. Mas ontem assisti um longa pernambucano, premiado no Cine–PE deste ano: Amigos de Risco do diretor Daniel Bandeira (também pernambucano). O filme narra a história de três amigos que não se vêem há muito tempo e resolvem sair juntos numa quarta-feira à noite pra se divertir, depois de um dia estafante de trabalho. Não sabemos quando o filme entrará em circuito nacional (ainda está sem distribuidora) mas estamos torcendo!
Amigos de Risco foi rodado com baixo orçamento, dada a dificuldade em conseguir patrocinadores. Seu diretor, Daniel Bandeira, não fez concessões. O filme não tem atores famosos no elenco, tampouco exibe imagens de cartão postal do Recife. Amigos de Risco fala de pessoas comuns morando e circulando em bairros populares onde, à noite, a violência impera. Não é um filme para se divertir mas para se refletir. Após a exibição, em sessão única, Daniel Bandeira promoveu um bate-papo com a platéia. Em determinado momento uma senhora elogiou a coragem de Daniel por ele mostrar o “submundo” do Recife. Ao ouvir a palavra “submundo” fiquei incomodada. Paulinho, um amigo meu que estava comigo, percebendo a minha inquietação, disse; “Calma, criatura, pra ela (referindo-se à senhora) é submundo mesmo”. Daniel Bandeira, um cara muito simples mas muito inteligente e sensível, deu a resposta que eu teria dado: “mas o submundo também é mundo...”.
Parece que Daniel, assim como eu, vivencia a cidade de uma maneira diversa da maioria das pessoas de classe média/alta que parecem não enxergar o que está ao seu lado, ao seu redor. Recife, além de ter muitos bairros populares, tem mais de 500 favelas, muitas incrustadas em bairros nobres. E as pessoas parecem que não vêem ou não querem ver.
Não posso falar por Daniel, não o conheço mas eu ando pela cidade de dia e à noite e, ainda que aprecie a beleza do rio e das pontes, também vejo o lixo, a miséria, pessoas dormindo nas calçadas, putas nas esquinas, meninos cheirando cola. Isso também é Recife, não é o sub-Recife, não está escondido, está à mostra, só não vê quem não quer.
Amigos de Risco não mostra toda a dor e miséria do Recife mas, em uma noite/madrugada, onde três jovens apenas queriam se divertir, mostra o suficiente para as pessoas refletirem sobre os limites da moral e da ética quando se está lascado, roubado e traído, e também sobre o que é a nossa cidade, que não difere muito de outros centros urbanos no que concerne às mazelas. O grande mérito do filme está em apresentar um outro olhar sobre Recife. Um olhar mais próximo da realidade cotidiana daqueles que não aparecem na publicidade turística porque não são bonitos. Amigos de Risco não seduz pela imagem: O “submundo” é feio... mas é mundo...
Amigos de Risco foi rodado com baixo orçamento, dada a dificuldade em conseguir patrocinadores. Seu diretor, Daniel Bandeira, não fez concessões. O filme não tem atores famosos no elenco, tampouco exibe imagens de cartão postal do Recife. Amigos de Risco fala de pessoas comuns morando e circulando em bairros populares onde, à noite, a violência impera. Não é um filme para se divertir mas para se refletir. Após a exibição, em sessão única, Daniel Bandeira promoveu um bate-papo com a platéia. Em determinado momento uma senhora elogiou a coragem de Daniel por ele mostrar o “submundo” do Recife. Ao ouvir a palavra “submundo” fiquei incomodada. Paulinho, um amigo meu que estava comigo, percebendo a minha inquietação, disse; “Calma, criatura, pra ela (referindo-se à senhora) é submundo mesmo”. Daniel Bandeira, um cara muito simples mas muito inteligente e sensível, deu a resposta que eu teria dado: “mas o submundo também é mundo...”.
Parece que Daniel, assim como eu, vivencia a cidade de uma maneira diversa da maioria das pessoas de classe média/alta que parecem não enxergar o que está ao seu lado, ao seu redor. Recife, além de ter muitos bairros populares, tem mais de 500 favelas, muitas incrustadas em bairros nobres. E as pessoas parecem que não vêem ou não querem ver.
Não posso falar por Daniel, não o conheço mas eu ando pela cidade de dia e à noite e, ainda que aprecie a beleza do rio e das pontes, também vejo o lixo, a miséria, pessoas dormindo nas calçadas, putas nas esquinas, meninos cheirando cola. Isso também é Recife, não é o sub-Recife, não está escondido, está à mostra, só não vê quem não quer.
Amigos de Risco não mostra toda a dor e miséria do Recife mas, em uma noite/madrugada, onde três jovens apenas queriam se divertir, mostra o suficiente para as pessoas refletirem sobre os limites da moral e da ética quando se está lascado, roubado e traído, e também sobre o que é a nossa cidade, que não difere muito de outros centros urbanos no que concerne às mazelas. O grande mérito do filme está em apresentar um outro olhar sobre Recife. Um olhar mais próximo da realidade cotidiana daqueles que não aparecem na publicidade turística porque não são bonitos. Amigos de Risco não seduz pela imagem: O “submundo” é feio... mas é mundo...
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