Para Perdedores é o nome do segundo disco de Walter Areia, mais conhecido como Júnior Areia, baixista, há mais de dez anos, da banda Mundo Livre S/A, além de compositor e produtor musical. Mas se na Mundo Livre, Areia toca baixo elétrico, em seu trabalho instrumental ele assume o contrabaixo acústico e já se tornou uma das principais referências do instrumento em Pernambuco.
Ainda estou ouvindo o disco, aos poucos, pelo site do próprio Areia, músico talentosíssimo!
Segue um vídeo do Areia & Grupo de Música Aberta com Maracatu de Baque Etéreo (adorei esse nome), um belo trabalho instrumental com sotaque nordestino. Todos os músicos são ótimos e o contrabaixo do Areia se faz percussão de maracatu de baque virado: segue o mesmo compasso, a mesma marcação da alfaia. No siteMusicareia há mais informações sobre o disco, sobre o disco anterior (A Décima Lua), sobre o próprio Areia e todas as músicas (de ambos os discos) para ouvir e fazer daunloudi.
Para facilitar a vida de meus leitores e leitoras ouvintes de boa música e também por mim, peguei o soundcloud dos dois discos do Areia, Para Perdedores (4 faixas) e A Décima Lua (11 faixas) e truxe pra cá. Ei-lo:
As festas juninas chegaram e ele voltou! Pra quem não baixou ano passado, taí: o maior podcast junino do Brasil! É a simulação 'Rádio Gigante' com mais de 5 horas de pesquisa! Muito forró, baião, rojão, xote, cantoria, rabeca, samba de latada, xaxado, pife, quadrilha, causos, breaks comerciais divertidos e originais, e tudo o mais de antigo e contemporâneo! Perfeito para longas viagens, rádios-postes ou para você que não que ter o trabalho de ficar passando música no tocador e perder a dama no rala-bucho! Compartilhai, divulgai e baixai! É tudo vosso! Viva, São João!(texto do soundcloud de Jr.Black).
Pra quem não conhece, Lula Queiroga é um dos parceiros musicais de Lenine (que imagino que tod@s que me leem conhecem). Compositor dos melhores, Lula acaba de lançar seu quarto álbum: Todo Dia é o Fim do Mundo. Ainda não ouvi o disco, só a faixa-título, que adorei!
Segue um texto - excelente, por sinal - do próprio Lula.
LULA Q POR LQ
A ideia base deste novo disco: Todo dia é o fim do mundo nasce de uma pergunta besta que sempre me assolou o pensamento. Como a raça humana conseguiu chegar até aqui? Se somos tão frágeis, se nascemos tão dependentes? A resposta seria Darwiniana: adaptando-se. A qualquer circunstância. Morrendo e nascendo mais resistentes. Insistindo e perseverando por instinto. Vingando, no sentido matuto e épico da palavra. Como um cacto no deserto hostil. Aí veio a era industrial, a urbanidade desordenada. A necessidade de sobreviver no caos. Do corpo e da mente. A grande odisseia humana em busca da felicidade. O fim virá para todos. Mas não como extinção imediata e datada da vida na terra. Porque não se trata de oráculos bíblicos, previsões fatalistas, Nostradamus, colisões meteoríticas, derretimento dos pólos. Não. Todo dia é o fim do mundo é sobre o apocalipse diário, o pequeno drama cotidiano, vivido de sol a sol, de chuva em chuva, de fome a fome, de coração a coração. É a respeito dos sobreviventes do cataclisma pessoal de cada instante. Dos heróis anônimos que têm que matar um leão a cada dia. E que no dia seguinte acordam para enfrentar tudo de novo. Da vida à deriva. Dos que se refugiam na loucura pra atenuar a falta de norte. Dos que perdem e dos que vencem momentos. E que de uma forma ou de outra, como mariposas, caçadoras de luz, conseguem encontrar, mesmo efêmera, a fagulha fátua da alegria e da divindade. Para mim, dar forma sonora e consistência a esse conceito chave, virou um mergulho. Aprendi , ano passado com Ronaldo Fraga mestre no quesito: arte é imersão. Musica é deixar afundar no redemoinho. Daí, com a companhia de Yuri, Lucky Luciano, Tostão e Paulo Germano, entramos no estúdio aqui da Luni, em Recife e começamos a procurar as melodias para as vozes, o timbre para cada fonte sonora. Tocando e compondo ao mesmo tempo. Ocupando os vazios, valorizando pausas. Envolvendo a canção com casulos harmônicos. Lembrando outras que já existiam. Antecipando mixagens. Perseguindo o que ainda não existe. Tomando sempre o cuidado de nunca sucumbir ao meramente sombrio. Porque a simples menção do fim do mundo pode ser uma armadilha.
Todo dia é o fim do mundo é um disco com 12 faixas quase coladas umas às outras. A ordem original não surgiu ao acaso. Mas como toda ordem pode ser descumprida ao gosto randômico de cada um. Até porque são músicas que independem umas das outras.
Devo confessar, tenho preferência por sons mais urbanos, fusão de rock, pop, soul, funk, samba... Mas também sei me encantar por um som de raiz, que remetam a Zona da Mata. e/ou Agreste. Daí meu apreço pela extinta banda Mestre Ambrósio, Siba e a Fuloresta o Samba, Coco Raízes de Arcoverde, entre tantos artistas.
Alessandra Leão é uma cantora e compositora pernambucana que traz em seu trabalho a marca dos sons de raiz sem se apegar totalmente à tradição. Ex-integrante da banda Comadre Fulozinha,(que Karina Buhr também integrava), Alessandra lançou em 2006 seu primeiro cd solo - produzido por Rodrigo Caçapa - Brinquedo de Tambor, que teve duas música incluídas na playlist do ex-Talking Heads, David Byrne. Seu segundo cd, Dois Cordões (2009) - co-produzido por ela e Caçapa - é um belo trabalho com uma forte presença do samba de terreiro - o som dos ilús estão ali presentes para não me deixar mentir - unido ao sons suaves de guitarra elétrica. Alessandra também é dona de uma voz com sotaque e timbre bem regionais e é uma excelente percussionista: toca diversos instrumentos de percussão. Eu mesma já tive o prazer de ver essa moça tocando, ao vivo, um pandeiro... Divino! Ou melhor, divina! Alessandra é divina!
Abaixo, o soundcloud de Dois Cordões e um vídeo de estúdio da música Varanda.
Encontrei essa entrevista com o Fábio Trummer, vocalista da banda Eddie. Nada demais, trata-se de um depoimento pessoal sobre o carnaval de Recife/Olinda, mas gostei um bocado.
Segue abaixo um frevinho da banda, bem no estilo olindense de fazer essa festa que é o carnaval.
Obs.: ouçam com atenção a letra de extrema profundidade.
Queridos Pituleira e Roberto, acho que essa música cai como uma luva pra tocar na troça do Bar de Ferreirinha! :)
A banda mais riléquis, despretensiosa e desencanada que eu conheço. A Eddie lançou no final do ano passado seu quinto disco, Veraneio, que só comecei a escutar hoje.
Com um clima ensolarado, diferente do disco anterior, Carnaval no Inferno (sobre o qual falei aqui), Veraneio tem participações de Otto, Karina Buhr, DJ Dolores, entre outros.
Curto demais essa banda de Olinda que mantém uma relação bacana com o frevo, a ponto de reinventá-lo. Até costumo dizer que a Eddie faz um pop-frevo-rock ou uma surf-frevo music mas pra tocar aqui eu trouxe o reggae O Saldo da Glória. Fábio Trummer cantando em falsete nesta faixa ficou maravilhoso! Abaixo segue a letra pra cantar junto...rs...
O Saldo da Glória
(letra: Fabio Trummer, Otto/ Musica: Robi Meira , Kiko Meira)
Na revolta desse mundo Vejo revolucionário em tudo No texto enviesado No tempo desconstruído No gosto pelo perdido
No que é dado e no retribuído No de agrado e no que foi merecido Em cada centavo, pago a hora Todos os meses vendidos Somando, nada faz sentido
Só ando descalço, eu não perco um abraço, só faço o que faço Era tudo abstrato e não mexa comigo, eu lhe furo o umbigo e de graça você perde a raça
Quanto Gastei pela glória? Quanto gastei pela glória? Quanto custou cada vitória? Quanto custa a vitoria eu não sei mas está bem acima da lei que eu fiquei
Vou indo um abraço, não paro o percalço, não para comigo, me faz um abrigo, um pedido, um aliso, um grito e pega essa hora já passa das 11, cadê a policia? Vou viver da glória...
Fabio Trummer - Guitarra e voz
Robi Meira - Baixo
Kiko Meira - bateria
Alexandre Urêa - percussão
Andrét Oliveira - Teclados
Já saiu a programação do festival que corre paralelamente e no meio da muvuca do carnaval do Recife.
Quem quiser saber mais clique aqui.
Segue abaixo o soundcloud do rec-beat com músicas de alguns artistas que estarão presentes no Festival.
Ah, já ia me esquecendo de dizer: o Festival rec-beat é "de grátis", na rua e NÃO tem axé míusique!
Creio que poucos conhecem a música de Junio Barreto, esse caruaruense de 47 anos que acaba de lançar seu segundo disco, Setembro.
Aproximadamente seis anos separam este disco do primeiro, sobre o qual já falei duas vezes aqui no blog (http://dimensaosalvadora.blogspot.com/2007/03/belssimo-cd.html), de tanto que gosto, seja pelas músicas, pelas letras, ou a voz do próprio Junio, um cara tranquilo que compõe sem pressa e com muito esmero. Daí o tempo que ele leva para lançar seus discos.
Há um cuidado maduro e apuro musical nas canções. E as letras, sempre poéticas, transparecem sua influência confessa de João Guimarães Rosa e Manoel de Barros
Lenine, Gal Costa e Maria Rita, estão entre os/as artistas que já gravaram suas músicas.
Segue a letra (poesia pura) de Setembro, faixa-título do disco que vocês podem ouvir logo abaixo. No site do Junio Barreto, vocês podem ouvir e baixar o disco inteiro!
PS: pra quem não sabe, caruaruense é quem nasce em Caruaru, município do agreste pernambucano.
Setembro
letra: Junio Barreto
música: Junio Barreto, Pupillo, Dengue, Junior Boca
TEU CORPO LUAVA OURO NOS BANHADOS QUE CHUVINHA FEZ
NAS LAVADAS QUE RAMALHA FLOR NOS SETEMBROS DE CHEGAR
TU REINAS VASTA NAS CHEIAS DE CADA MARÉ TU RAIAS DO CÉU QUE ENFEITA A MANHÃ ÉS FLECHA SOLTADA DO AROMA DA MATA CLAREIA DOS OLHOS, CANDEIA MEDONHA
JARDIM ELÉTRICO, PELO PEDRADO DA RUA VENS DOCE BELA, BEM VINDA NA MINHA CASINHA MORAR VENTO NO ESPAÇO, NA RODA DO SEU VESTIDO LÍQUIDA, BANHA MEU RIO QUE GIRA E DESTINA PRO MAR.
Depois do São João, forró, baião, coco e xaxado, nada como relaxar no domingo ouvindo um bom rock instrumental...
Joseph Tourton não é nenhum músico francês mas sim o nome de um suposto aviador da Segunda Guerra Mundial com o qual 4 rapazes, recém-saídos da adolescência, resolveram nomear sua banda de rock. Gabriel Izidoro, Diogo Guedes, Pedro Bandeira e Rafael Gadelha fazem um rock que remete a sonoridades de fins dos anos 60 pra70, com pitadas de soul, progressivo, dub, regional e até bossa-nova! Tudo com muita elegância e maturidade musical, coisa rara de se ver em rapazes tão jovens. A última vez que tinha visto isso foi na banda, também pernambucana, Mombojó cujo alguns integrantes têm participação especial neste primeiro cd d'ABanda de Joseph Tourton.
Para saber mais sobre a banda e ler o release do jornalista e crítico musical Alex Antunes, cliqueaqui.
Pra quem gosta de som de viola eis o belo cd do compositor, arranjador e produtor musical Caçapa. Elefantes na Rua Nova é o primeiro disco solo deste pernambucano que já fez arranjos para diversos artistas como Nação Zumbi, Siba e a Fuloresta do Samba, Alessandra Leão, Renata Rosa, Sa Grama, entre outros.
Vocês devem ter percebido que todas as faixas são seguidas do nome "rojão". Eis os significados da palavra que encontrei na web:
s.m. Ação ou efeito de rojar; rojo. Pop. Toque de viola arrastado. Bras. Artefato pirotécnico de rasto luminoso; foguete. Trabalho exaustivo. Marcha mais ou menos forçada. Diapasão. Modo de agir. Fam. Aguentar o rojão, resistir a trabalho ou situação difícil.
Eu sabia que um dia eu iria ficar orgulhoso do STF, o Superior Tribunal Federal, a Suprema Corte, digamos assim, do país.
Como repórter de política, já sai dali muitas vezes entristecido, com vontade de largar tudo e voltar lá para o meu Cariri, de preferência com uma casinha nas encostas da chapada do Araripe.
Mas eu sabia que um dia iria ficar orgulhoso do STF.
Como cidadão, e não um cidadão das correções e dos legalismos, um cidadão feio, sujo e malvado, eu sabia que esse dia chegaria.
Esse dia chegou.
Esse dia foi hoje, 5 de maio do ano da graça de 2011.
Aquelas togas jamais serão as mesmas. No futuro, se encontrá-las num brechó -sou um brechossexual convicto-, até compro todas as peças, para ficar de recuerdo por essa grande data.
Eu sabia.
O STF, de tantas derrapadas na curva da história, hoje se redime um bocado, no capítulo da crônica de costumes.
A maioria dos austeros senhores de toga já votou a favor da união civil dos gays.
É festa dos tiozinhos incríveis e corajosos do Bailão do Arouche, São Paulo.
É festa dos felizes baitolas da aldeia Aldeota, estão batendo na porta, pra me aperrear, como cantou Ednardo, no Syriará.
É festa dos frangos cantados lindamente por João do Morro na cidade do Recife.
É festa dos qualiras na ilha de São Luís.
É festa de Kátia Tapeti, em Colônia do Piauí, o travesti do sertão-vanguarda, que casou várias vezes e foi o primeiro gay assumido eleito para cargo público nos Tristes Trópicos.
É festa.
É avanço bonito do Brasil.
O STF foi muito macho nessa hora. Parabéns homens de toga!
P.S. -Pô, como pode, ia esquecendo das minas aqui nesta minha louvação toguística. Do glorioso e saudoso Ferro´s Bar ao atualíssimo Bar du Bocage, com suas Lolachas, para ficar tão-somente na geografia afetiva da cidade de San Pablo. Gracias amiga Ana Paula Portella! É festa!
Escrito por Xico Sá �s 20h21
Agora, pra completar a festa, segue uma versão de I will Survive (Ai Wilson, vai!) por João doMorro. Urruuuu!!!
Sou suspeita em elogiar essa banda mas preciso dizer: a Mundo Livre S/A é uma das melhores bandas que surgiram no Brasil nos últimos 20 anos. Seja pelas melodias, pela malemolência, pelos arranjos ou pelas letras de Fred Zeroquatro, politizadas e cheias de ironia punk. Mas Fred Zeroquatro também é muito bom ao compor músicas e letras amorosas, imersas em desejos molhados, sem pudores, sem pudores...
Um exemplo disso é "Caindo em si", música do disco "O Outro Mundo de Manuela Rosário".
Lula Côrtes, roqueiro e artista plástico, integrante do movimento udigrudi pernambucano dos anos 70, faleceu sexta-feira à noite aos 61 anos incompletos (faria aniversário no próximo dia 9 de abril), de câncer. Tomei um susto quando vi a notícia ontem à noite.
Não conheço muito o trabalho do Lula, mas ele tinha uma energia boa, bem-humorado e sempre, sempre anárquico. Tinha postura de roqueiro, espírito de roqueiro.... Mas ele também era aquele tipo de pessoa que a gente não precisa conhecer muito pra ver que é gente boa, espontâneo, sempre, sempre. O Lula era autêntico. A impressão que eu tinha dele era de um rebelde cheio de pureza, uma pureza comovente. Fica nossa saudade.....
Pra quem nunca viu/ouviu o Lula, segue um vídeo - e música - com sua banda, Má Companhia.
PS: Lula Côrtes gravou junto com Zé ramalho, em 1975, o disco Paêbirú (é assim mesmo: tem acento no "E" e no "U") que mistura rock psicodélico e ritmos nordestinos. Considerado um dos primeiros discos de rock psicodélico brasileiro.
Eder Rocha dos Santos (ou Eder,"O" Rocha) é mais conhecido como percussionista do grupo Mestre Ambrósio. Tem formação em percussão erudita (é mole?) pelo Centro de Criatividade Musical Profissionalizante de Recife. Na década de 80 dividia-se entre a música erudita e o metal: tocava na Orquestra Sinfônica do Recife e tinha uma banda de trash metal, Arame Farpado. E ainda integra o Maracatu Nação Estrela Brilhante, de Recife. Em 2003 lançou um belo e lúdico disco, O Circo do Rocha! Estreando filho de Santos, trabalho que envolveu artistas de dança e circo.
Com sua experiência, pesquisa e habilidade musical, seja no erudito ou no popular, Eder busca equilibrar essas duas vertentes, o que naturalmente resultou no Zabumba Moderno, um livro didático, acompanhado de um disco, no qual transcreve para a escrita musical a tradição oral das músicas populares do Nordeste, além de demonstrar as diversas possibilidades rítmicas do zabumba, instrumento típico do trio de forró, formado por sanfona, triângulo e a própria zabumba (pode ser "o" zabumba ou "a" zabumba, tanto faz, aceita os dois gêneros).
Morando em São Paulo há alguns anos, esse pernambucano também criou e dirige a Casa de Cultura Prego Batido que oferece cursos de percussão ("prego batido" é uma expressão usada na Zona da Mata Norte de Pernambuco e significa "trabalho bem feito": se o prego foi bem batido, o trabalho foi bem feito).
No solo abaixo dá pra comprovar que o cara é bom mesmo!
A década de 90 foi um período de grande efervecência cultural, principalmente musical, em Recife. Foi a década do surgimento do manguebit - prefiro essa grafia (assim como Fred 04) a manguebeat pois o movimento não se baseava num ritmo ou batida (beat) e sim na informação (daí "bit": menor unidade de informação digital) aliada à diversidade cultural recifense, ali representada pelo mangue ou, como dizia Chico Science: a imagem de "uma parabólica enfiada na lama".
Naquela década, pela primeira vez, os olhares dos formadores de opinião se voltaram para Recife, reconhecendo-o como um importante centro de música pop/rock e da boa! Foi quando Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A gravaram seus primeiros discos. Quando um festival de música produzido no Nordeste (Abril pro Rock) se tornou referência nacional e internacional, estimulando a formação e amadurecimento de várias bandas de estilos diversos. E foi em meio àquela agitação, que chegou em Recife uma moça, uma jornalista paulistana, também cantora e compositora que veio passar três semanas na cidade mas acabou permanecendo por seis anos na Manguetown. Citei seu nome há duas postagens atrás. É a tal moça que juntara-se aos Fellinis no projeto Funziona Senza Vapore e apresentou a música Criança de Domingo a Chico Science. Seu nome é Stela Campos.
Enquanto morou em Recife, Stela conheceu um bocado de gente boa como Chico e Fred 04. Fez shows. Participou de coletâneas, uma em tributo a Luiz Gonzaga e outra a Reginaldo Rossi. Participou de trilhas sonoras de filmes pernambucanos como Baile Perfumado. E até gravou seu primeiro disco solo, Céu de Brigadeiro (1999). Enfim, Stela se envolveu totalmente com a cena do Recife, o que só lhe acrescentou em termos criativos ainda que sua música não contenha sons regionais.
Quando aterrissou em Recife Stela já tinha uma banda, Lara Hanouska, e remontou-a com músicos locais. Mas depois de um tempo resolveu partir para carreira solo. Em 2000 Stela retornou a São Paulo após receber uma proposta de emprego. Mas ainda que trabalhando como jornalista (afinal precisava pagar suas contas) continuou circulando pelo underground paulistano. Em Sampa já gravou mais três discos, Fim de Semana (2002), Hotel Continental (2005) e o mais recente, Mustang Bar (2009), considerado seu trabalho mais visceral, com ênfase nas guitarras.
As músicas de Stela são pequenas crônicas urbanas que falam da correria cotidiana, de tédio, solidão, melancolia. Ou seja, fala de coisas comuns, sobre pessoas comuns vivendo em grandes centros urbanos. Luciano Buarque, pernambucano que conheceu na noite recifense, é seu parceiro nas músicas e letras (mais nas letras). E também é seu parceiro de palco e na vida conjugal.
Quanto ao estilo, bem, Stela transita por vários. Chico a chamava de "Billie Holiday de garagem" e muitos a chamam de "Lou Reed de São Paulo". Tem influência de folk, jazz, rock de garagem, noise, música eletrônica, pós-punk... Sempre acompanhada de músicos excelentes e uma produção musical apurada. Em Mustang Bar o som está bem sessentista, psicodélico, com um pouco de pop francês. Ao ouvir o disco dá pra perceber bem a influência de Lou Reed e do Velvet Underground em várias músicas.
Bem, não pretendo continuar falando sobre o som da Stela, gostoso mesmo é ouvi-la! Mas antes gostaria de dizer mais uma coisinha. Mustang é o nome de um bar daqui de Recife que fica no centro da cidade (atualmente mais com cara de pizzaria). Mas na época a imagem que ficou para Stela era de um bar frequentado por boêmios, solitários, gente com pouco dinheiro no bolso. Ao contrário do que se possa imaginar não se trata de uma homenagem a Recife, como nas próprias palavras de Stela: "é mais um cenário para comportar personagens que poderiam sair de qualquer cidade grande".
De todo modo, cara Stela, nós, recifenses, nos sentimos homenageados/as.
Seguem dois vídeos:Laura te espera com uma arma na mão e em seguidaMustang Bar.
Quem quiser ouvir o disco inteiro (vale demais!) pode acessar o site da gravadora Trama, clique aqui
Chico Science não necessita de apresentações, eu creio (ou será que superdimensiono sua fama?). Quanto ao Cadão Volpato acho que devo apresentar. Cadão, além de jornalista e escritor, é letrista e vocalista do Fellini, banda paulista, pós-punk (não me perguntem o que isso significa), dos anos 80 que Chico Science e Fred Zero Quatro curtiram um bocado (eu também!).
Em 1992 Cadão formou outra banda com a cantora Stela Campos e mais dois integrantes do Fellini: a Funziona Senza Vapore, banda que não durou nem um ano, mas uma cópia doméstica das gravações do disco, em fita cassete, chegou ao Recife pelas mãos da Stela que a apresentou a Chico Science. Essa cassete tinha a música Criança de Domingo (Cadão Volpato - Ricardo Salvagni)gravada posteriormente por Chico Science & Nação Zumbi no disco Afrociberdelia (1996).
Essa música (linda!), por uma infeliz coincidência, tem os seguintes versos: "Eu sábado vou rodar/ criança de domingo/ sem saber guiar/criança de domingo...". Digo infeliz porque foi num domingo que Chico sofreu o acidente fatal enquanto dirigia o carro de sua irmã.
No ano seguinte à morte de Chico, o Fellini veio ao Recife tocar no Festival Rec-beat que acontece todos os anos em pleno carnaval recifense, e Cadão Volpato cantou uma das músicas que eu mais gosto do Fellini, dedicando-a a Chico Science. A música era Zum Zum Zum Zazoeira do disco 3 Lugares Diferentes (1987) que em seus primeiros versos diz:"Quando eu morrer/ uma nuvem de pó vai me suceder...". E mais adiante: "lá no Fundão/ morre mais um amigo do coração...".
Eu estava lá e enchi os olhos d'água... Não era mais pra chorar, afinal Fellini é uma banda cheia de humor nonsense, um humor fino. Mas, naquela ocasião, fiquei com um nó na garganta...
Ah, ouçam as músicas em volume máximo! Ou, melhor ainda, com fone de ouvido.
Bem, companheir@s, acho que a Nação Zumbi dispensa apresentações, afinal, creio eu que vocês já ouviram falar em Chico Science & Nação Zumbi, não?
A música da animação acima é Bossa Nostra do disco Fome de tudo, o oitavo da carreira da banda.
Quem quiser saber mais é só acessar o site oficial da Nação Zumbi.
Lá, no item "Discografia", vocês irão encontrar a crítica sobre esse discaço por Fred Zeroquatro. Depois de lê-la não tive imaginação para escrever mais nada, está tudo lá, tudo o que eu penso sobre o trabalho da Nação Zumbi.
Agora, como diz meu querido Marcelo Carota, permita-se. Ouça no volume máximo!!! esse som é demais! e o vídeo maravilhoso!
Ah só mais una cosita, pra ver o vídeo na tela inteira do seu computador basta clicar no quadradinho à direita abaixo do vídeo. Descobri isso agora (risos). E olha aí "os caras":