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sexta-feira, 29 de abril de 2011

música pra ouvir naquelas horas...

Sou suspeita em elogiar essa banda mas preciso dizer: a Mundo Livre S/A é uma das melhores bandas que surgiram no Brasil nos últimos 20 anos. Seja pelas melodias, pela malemolência, pelos arranjos ou pelas letras de Fred Zeroquatro, politizadas e cheias de ironia punk. Mas Fred Zeroquatro também é muito bom ao compor músicas e letras amorosas, imersas em desejos molhados, sem pudores, sem pudores...

Um exemplo disso é "Caindo em si", música do disco "O Outro Mundo de Manuela Rosário".
Espero que apreciem, sem moderação...


domingo, 12 de dezembro de 2010

um francês com alma latinamericana


Sábado passado comprei o mais recente disco de estúdio de Manu Chao, La Radiolina (radinho em italiano ou rádio de bolso) de 2007. Amei logo na primeira audição. Gosto demais da música desse francês, filho de pais espanhóis, que mistura punk com ritmos latinos, rap, reggae, flamenco e o que vir/ouvir pela frente, sem preconceito. Antes de seguir carreira solo Manu Chao teve várias bandas, a mais famosa foi a Mano Negra (uma homenagem a La Mano Negra, uma suposta organização anarquista espanhola do séc. XIX) formada por integrantes de várias nacionalidades. Em 1992, com a Mano Negra, Manu Chao fez uma turnê nada convencional pela América Latina: viajaram de barco ao lado de atores circenses, apresentando-se em várias cidades portuárias. Em 1995 a Mano Negra acabou e Manu Chao voltou a viajar pela América Latina com seu violão. Clandestino, seu primeiro disco solo, foi resultado dessas viagens.

Ahora ya basta de dados biográficos, não quero me alongar. Mas achei pertinente falar um pouco da origem e da vida de andarilho de Manu Chao porque explica como esse europeu, esse francês, se tornou tão latinamericano.

Manu Chao viajou pela América Latina não como aquele jovem médico argentino que um dia saiu de casa com um amigo e uma motocicleta chamada La Poderosa, e que mais tarde se tornou um revolucionário. No entanto a intenção da viagem não diferia muito daquele: assim como Che, Manu Chao queria conhecer a América Latina, sua pobreza, suas mazelas, mas também sua riqueza cultural e sua alegria! E a música de Manu Chao é uma festa! ainda que permeada de melancolia, nada mais natural, na vida como na arte... Mas Manu Chao também é indignado, punk mesmo, no melhor estilo The Clash, assim como Fred 04 e sua mundo livre s/a. Por sinal existe muita semelhança entre os dois, nem tanto musical mas na postura punk, insurgente. O bacana é que ambos são punks com suingue, groove, punks calientes e emotivos, graças a essa mistura que é a América Latina - América indígena, negra, moura e européia, tudo junto misturado.

Parafraseando o mais doce revolucionário das Américas, acho que posso afirmar que Manu Chao segue o lema:

Hay que ser punk pero sin perder la latinidad, jamás!

Ah, bom lembrar que a banda de apoio de Manu Chao chama-se Radio Bemba Sound System,  uma alusão à Rádio Bemba (sistema de rádio rural) utilizada por Che e Castro em Sierra Maestra durante a Revolução Cubana.

Seguem o vídeo e a letra da segunda faixa de La Radiolina: Tristeza Maleza. Não se acanhe se der vontade de chorar...



Tristeza Maleza 
(Manu Chao)

El nada en el mar
Ella nada en el mar
Todo nada en el mar
Como una raya(x2)
Infinita tristeza
Late en mi corazon
Infinita tristeza
Escaldada passion
Infinita pobreza
Tu sombra en la pared
Infinita tristeza
Viento de Washington
Y Choré
Infinita tristeza...
Infinita tristeza
Viento de washington
Infinita pobreza
Tu sangre en la pared
infinita maleza
escaldada passion
Y choré...
Infinita tristeza...
…
Infinita tristeza
Late en mi corazon
Infinita pobreza
Tu sangre en la pared
Infinita tristeza
Infinita tristeza
El nada en el mar
Ella nada en el mar
Todo nada en el mar
Como una raya

Fonte dos dados biográficos: Wikipedia

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Som de Pernambuco -3

Eddie - Carnaval no Inferno

Natural de Olinda, a Eddie é uma das bandas mais bacanas que tocam por aqui e por aí afora. Em seu quarto disco, aqueles meninos, que curtiam cinema-praia-futebol, chegaram à maturidade. Da década de 90 pra cá muita coisa aconteceu: a vida machuca e deixa marcas. Mas quando se tem coragem, determinação e leveza, fica mais fácil tocar a vida.

Se no primeiro disco da Eddie, a vida soava mais alegre, neste predomina a melancolia. Mas entenda-se, essa melancolia está mais presente nas letras que nas melodias. Fabinho Trummer (letra/voz/guitarra) e Cia ainda nos faz mexer o corpinho. Pra se ter uma idéia o disco começa logo com um frevo delicioso de cantar e dançar. Daí segue com samba, samba-rock, rock, gafieira-dub (definição minha), um bolero e uma pitada de surf music. Tudo com aquele Original Olinda Style, como define, o próprio Fabinho, o som da Eddie e de outros artistas de Olinda.

Agora você deve estar curioso/a pra saber o que é esse Original Olinda Style. Acertei? Então escuta essa: tem gente que jura que Bob Marley nasceu em Olinda. A quantidade de cannabis sativa que circula por ali... O olindense é relaxado, leve... Diferente do recifense, mais estressado. Arrisco dizer que a leveza que nos resta se deve aos ventos (ou fumaça...) que sopram de Olinda até Recife, ou talvez às marés e, certamente, às linhas de ônibus Rio Doce/Piedade e Barra de Jangada/Casa Caiada que permitem esse saudável intercâmbio cultural, pelo litoral, unindo Olinda, Recife e Jaboatão, cidade vizinha e ao sul de Recife, berço da Mundo Livre S.A. (banda influente no som da Eddie).

Além disso tem o carnaval, né? Essa festa desvairada que o pernambucano faz questão de manter a tradição mas sempre abrindo espaço para o novo. E é justamente em Olinda e Recife onde há a maior concentração de blocos, orquestras de frevo e foliões. E é essa festa, o nosso carnaval, que nos salva, que dá leveza à alma e ajuda a suportar a dureza da vida. Tem até um frevo - entre muitos- que revela o quanto o carnaval é importante em nossas vidas, que diz assim: " É de fazer chorar quando o dia amanhece e obriga o frevo a acabar, oh quarta-feira ingrata, chega tão depressa, só pra contrariar!". Fabinho Trummer, como bom folião, sabe disso. Tanto que já gravou esse frevo com a Eddie, naturalmente naquele estilo original de Olinda.

Aliás, pra quem não sabe, a música "quando a maré encher", gravada pela Nação Zumbi (outra banda que influencia a Eddie) e que ficou famosa na voz da saudosa Cássial Eller, é um frevo da Eddie, um frevo-rock. Fabinho, moço leve e despretensioso, sabe das coisas.


PS 1: na postagem acima vocês viram/ouviram, os vídeos do frevo Bairro Novo/Casa Caiada (nomes de dois bairros de Olinda) e da indignada "eu tô cansado dessa merda" na voz de Karina Buhr (participação especial). Ainda indico a audição do sambinha cafajeste "me diga o que não foi legal" e de "gafieira na avenida". Você pode ouvi-las aqui. Ou melhor, se possível, ouça o disco todinho, todinho. Esse carnaval, ainda que no inferno, é primoroso!

PS 2: perdão, infelizmente pensei que as músicas indicadas acima estavam disponíveis no myspace da Eddie. De todo modo tem outras músicas lá. E no youtube tem outros vídeos.




quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Saldo de Aratu


O que é que se faz com uma moeda de 1 centavo? Alguém aí pode me dizer?

Um dia desses (ano passado) fui à padaria comprar pão, estava louca para me livrar de três moedas de um centavo, ou seja R$ 0,03. A compra deu R$2,43 e fiquei bastante excitada com a possibilidade concreta de me desfazer daquelas moedas. E vocês acham que eu consegui me livrar? Que nada. O dono da padaria, por sinal um rapaz muito simpático, me atendeu no caixa e disse muito nervoso: Não, não, por favor, moedas de um centavo não, eu dispenso, muito obrigado, senhora!! Foi quando eu percebi que não sou a única que nutre profunda antipatia por esse vil metalzinho. De qualquer forma achei um tanto exagerada a reação do rapaz. Mas outro dia fui a outra padaria aqui perto de casa e dessa vez fui eu quem tive uma reação de quase terror. A conta: R$2,39. Um centavo de troco, ai, meu Deus!! Pensei. Quando a moça do caixa abriu aquela gavetinha para tirar o troco eu disse quase apavorada: Não, moça, não, não precisa me dar 1 centavo não, viu!?! E ela falou muito calma: Tudo bem, senhora, mas ainda lhe devo R$2,60. E eu disse com um sorriso amarelo: Ah, tudo bem... E relaxei. Ufa! Por pouco não iria acumular mais uma moedinha.

O pior é que eu não tenho coragem de dar essas moedas nem para meninos de rua, nem mendigos. É muito pouco. Sempre dou moedas de 10, 25, 50... Sempre? Não...

Certa vez estava eu na rua no maior miserê, só tinha na carteira dinheiro pra passagem de ônibus e algumas moedas de 1 centavo (3, 4, 5? Não me lembro). Um menino de rua me pediu trocado e lhe dei as tais moedinhas. Aquele menino pegou as moedas mas quando viu que eram de 1 centavo disse revoltado: Ôxe, moça! 1 centavo é saldo de aratu! Quero não! E jogou-as na sarjeta. Me arrependi amargamente da minha "boa ação". Realmente é humilhante receber de esmola moedas de 1 centavo mas naquele dia era tudo o que eu tinha para oferecer. Suspirei melancólica e fui pra casa....
E agora estou aqui, num outro momento, com 3 moedas de 1 centavo aguardando uma oportunidade para me livrar delas. Por que, a exemplo do menino, eu não as jogo no lixo, hein?PS: Para quem desconhece a fauna dos manguezais, aratu é uma espécie de caranguejo que corre ágil pelos galhos das árvores do mangue e é pequenininho pequenininho. E saldo de aratu é.... Nem precisa explicar, né? Mas bem que o bichinho é simpático, não? Saca só o desenho acima. Ah, Saldo de Aratu também é o nome de uma música da banda pernambucana Mundo Livre S/A (já deu pra notar que eu adoro essa banda, não?).
Imagem colhida do sítio:www.guiaguaruja.com.br/meioambiente/caranguejoaratu.htm

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Cacique Xicão


"... a preocupação nossa não é no momento atual e sim, no futuro, porque nóis pode fazer a nossa viagem... eterna, mas as nossas crianças, os nossos netos...filhos, eles precisam viver nessa terra, e é preciso que a gente comece a prepará-los de agora, pra eles irem acompanhando e dêem seguimento e assim, por diante".(Cacique Xicão, em depoimento à imprensa, contido no disco O Outro Mundo de Manuela Rosário da banda mundo livre s/a).

Cacique Xicão Xucuru foi um exemplo de resistência. Lutava pela demarcação das terras de sua tribo Xucuru, no município de Pesqueira/PE. Foi assassinado covardemente em 1998 por motivos fundiários e os algozes, até que eu saiba, não foram punidos.


Imagem colhida do sítio:
http://www.manguebit.org.br/mlsa/xicao/index.html