Não pensei em nada pra escrever nesse Dia da Mulher. Mas vi essas fotos no orkut de Maria Antônia, minha sobrinha e gostei. Ela tá "viajando" com o piercing (ou pírcingue, como se diz em Portugal) que fez na orelha. Amo essa Menina...
segunda-feira, 8 de março de 2010
uma menina, quase mulher
Não pensei em nada pra escrever nesse Dia da Mulher. Mas vi essas fotos no orkut de Maria Antônia, minha sobrinha e gostei. Ela tá "viajando" com o piercing (ou pírcingue, como se diz em Portugal) que fez na orelha. Amo essa Menina...
terça-feira, 2 de março de 2010
apontamentos de uma louca
4. pra quem já esperou mil anos, esperar mais cem não custa nada. o problema é que quanto mais roço em suas palavras, menos o gozo me permite mentir;
2. gosto de gatos porque são verdadeiramente livres, livres como loucos, loucos de tão livres. livres e livros são pra comer. mas não como gatos, prefiro comer você;
3. às vezes você me irrita, mas quando lembro seus oinho triste, seu rosto cansado, dá vontade de lhe dar colo e lhe chupar (...) até o dia amanhecer;
1. o sentimento vaza como música em minha pele. quero asas pra sublimar o que digo, ao pé-do-ouvido, com meu coração supersônico!;
5. preciso ir, tenho pressa, mas pode crer: gosto de você à beça.
agora segue a música porque a ordem dos fatores não altera esse amor balbuciado. ou seria anunciado? ah, deixa pra lá...
sLy & tHe fAmIlY sToNe - if you want me to stay
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Rondó do Capitão
poema: Manuel Bandeira
música: João Ricardo
Bão balalão,
Senhor capitão.
Tirai este peso
Do meu coração.
Não é de tristeza,
Não é de aflição:
É só de esperança,
Senhor capitão!
A leve esperança,
A aérea esperança...
Aérea, pois não!
- Peso mais pesado
Não existe não.
Ah, livrai-me dele,
Senhor capitão!
Adoro esse poema e a respectiva versão musical dos Secos & Molhados. Tem a ver com meu momento atual.
música: João Ricardo
Bão balalão,
Senhor capitão.
Tirai este peso
Do meu coração.
Não é de tristeza,
Não é de aflição:
É só de esperança,
Senhor capitão!
A leve esperança,
A aérea esperança...
Aérea, pois não!
- Peso mais pesado
Não existe não.
Ah, livrai-me dele,
Senhor capitão!
Adoro esse poema e a respectiva versão musical dos Secos & Molhados. Tem a ver com meu momento atual.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
o frevo da quarta-feira de cinzas
De Fazer Chorar
autor: Luiz Bandeira
versão: Eddie
O frevo acima é o frevo dos inconformados com o fim do carnaval. Não sei se vocês curtem. Se não, eu compreendo, juro que compreendo. Acho que só quem nasceu em Pernambuco, ou conhece e gosta de frevo e carnaval, curte, de fato.
Fabinho Trummer e a Eddie; Chico Science (de onde estiver) e a Nação Zumbi; Fred 04 e a Mundo Livre S.A. amam o carnaval e eu amo o carnaval e essas bandas porque além de falarem do universal com muito talento, ainda cantam minha aldeia. Daí minha relação afetiva com esses moços que só conheço de vista - amores platônicos, há mais de uma década, que encontro nas ruas, em lanchonetes, em bares, em filas de cinema e, evidentemente, em shows, seus shows. E neste carnaval, especificamente, ouvir a Eddie tem me dado o maior tesão: o último disco deles não para de tocar lá em casa. Será que sou uma groupie enrustida? (risos).
PS: Pra quem não sabe, groupies são moças que gostam de trepar com músicos de banda. São as famosas tietes que levam a tietagem às últimas consequências...
autor: Luiz Bandeira
versão: Eddie
O frevo acima é o frevo dos inconformados com o fim do carnaval. Não sei se vocês curtem. Se não, eu compreendo, juro que compreendo. Acho que só quem nasceu em Pernambuco, ou conhece e gosta de frevo e carnaval, curte, de fato.
Fabinho Trummer e a Eddie; Chico Science (de onde estiver) e a Nação Zumbi; Fred 04 e a Mundo Livre S.A. amam o carnaval e eu amo o carnaval e essas bandas porque além de falarem do universal com muito talento, ainda cantam minha aldeia. Daí minha relação afetiva com esses moços que só conheço de vista - amores platônicos, há mais de uma década, que encontro nas ruas, em lanchonetes, em bares, em filas de cinema e, evidentemente, em shows, seus shows. E neste carnaval, especificamente, ouvir a Eddie tem me dado o maior tesão: o último disco deles não para de tocar lá em casa. Será que sou uma groupie enrustida? (risos).
PS: Pra quem não sabe, groupies são moças que gostam de trepar com músicos de banda. São as famosas tietes que levam a tietagem às últimas consequências...
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Erótica. Só minto um pouco...
basta-me um olhar que me deixe nua
entre o último e o primeiro gole
basta-me uma palavra obscena
que embriague a carne úmida
basta-me uma falange e um anel
corrompendo-me entre as coxas
basta-me uma foda macia
e seu cheiro de macho pra levar na calcinha
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Som de Pernambuco -3
Natural de Olinda, a Eddie é uma das bandas mais bacanas que tocam por aqui e por aí afora. Em seu quarto disco, aqueles meninos, que curtiam cinema-praia-futebol, chegaram à maturidade. Da década de 90 pra cá muita coisa aconteceu: a vida machuca e deixa marcas. Mas quando se tem coragem, determinação e leveza, fica mais fácil tocar a vida.
Se no primeiro disco da Eddie, a vida soava mais alegre, neste predomina a melancolia. Mas entenda-se, essa melancolia está mais presente nas letras que nas melodias. Fabinho Trummer (letra/voz/guitarra) e Cia ainda nos faz mexer o corpinho. Pra se ter uma idéia o disco começa logo com um frevo delicioso de cantar e dançar. Daí segue com samba, samba-rock, rock, gafieira-dub (definição minha), um bolero e uma pitada de surf music. Tudo com aquele Original Olinda Style, como define, o próprio Fabinho, o som da Eddie e de outros artistas de Olinda.
Agora você deve estar curioso/a pra saber o que é esse Original Olinda Style. Acertei? Então escuta essa: tem gente que jura que Bob Marley nasceu em Olinda. A quantidade de cannabis sativa que circula por ali... O olindense é relaxado, leve... Diferente do recifense, mais estressado. Arrisco dizer que a leveza que nos resta se deve aos ventos (ou fumaça...) que sopram de Olinda até Recife, ou talvez às marés e, certamente, às linhas de ônibus Rio Doce/Piedade e Barra de Jangada/Casa Caiada que permitem esse saudável intercâmbio cultural, pelo litoral, unindo Olinda, Recife e Jaboatão, cidade vizinha e ao sul de Recife, berço da Mundo Livre S.A. (banda influente no som da Eddie).
Além disso tem o carnaval, né? Essa festa desvairada que o pernambucano faz questão de manter a tradição mas sempre abrindo espaço para o novo. E é justamente em Olinda e Recife onde há a maior concentração de blocos, orquestras de frevo e foliões. E é essa festa, o nosso carnaval, que nos salva, que dá leveza à alma e ajuda a suportar a dureza da vida. Tem até um frevo - entre muitos- que revela o quanto o carnaval é importante em nossas vidas, que diz assim: " É de fazer chorar quando o dia amanhece e obriga o frevo a acabar, oh quarta-feira ingrata, chega tão depressa, só pra contrariar!". Fabinho Trummer, como bom folião, sabe disso. Tanto que já gravou esse frevo com a Eddie, naturalmente naquele estilo original de Olinda.
Aliás, pra quem não sabe, a música "quando a maré encher", gravada pela Nação Zumbi (outra banda que influencia a Eddie) e que ficou famosa na voz da saudosa Cássial Eller, é um frevo da Eddie, um frevo-rock. Fabinho, moço leve e despretensioso, sabe das coisas.
PS 1: na postagem acima vocês viram/ouviram, os vídeos do frevo Bairro Novo/Casa Caiada (nomes de dois bairros de Olinda) e da indignada "eu tô cansado dessa merda" na voz de Karina Buhr (participação especial). Ainda indico a audição do sambinha cafajeste "me diga o que não foi legal" e de "gafieira na avenida". Você pode ouvi-las aqui. Ou melhor, se possível, ouça o disco todinho, todinho. Esse carnaval, ainda que no inferno, é primoroso!
PS 2: perdão, infelizmente pensei que as músicas indicadas acima estavam disponíveis no myspace da Eddie. De todo modo tem outras músicas lá. E no youtube tem outros vídeos.
Se no primeiro disco da Eddie, a vida soava mais alegre, neste predomina a melancolia. Mas entenda-se, essa melancolia está mais presente nas letras que nas melodias. Fabinho Trummer (letra/voz/guitarra) e Cia ainda nos faz mexer o corpinho. Pra se ter uma idéia o disco começa logo com um frevo delicioso de cantar e dançar. Daí segue com samba, samba-rock, rock, gafieira-dub (definição minha), um bolero e uma pitada de surf music. Tudo com aquele Original Olinda Style, como define, o próprio Fabinho, o som da Eddie e de outros artistas de Olinda.
Agora você deve estar curioso/a pra saber o que é esse Original Olinda Style. Acertei? Então escuta essa: tem gente que jura que Bob Marley nasceu em Olinda. A quantidade de cannabis sativa que circula por ali... O olindense é relaxado, leve... Diferente do recifense, mais estressado. Arrisco dizer que a leveza que nos resta se deve aos ventos (ou fumaça...) que sopram de Olinda até Recife, ou talvez às marés e, certamente, às linhas de ônibus Rio Doce/Piedade e Barra de Jangada/Casa Caiada que permitem esse saudável intercâmbio cultural, pelo litoral, unindo Olinda, Recife e Jaboatão, cidade vizinha e ao sul de Recife, berço da Mundo Livre S.A. (banda influente no som da Eddie).
Além disso tem o carnaval, né? Essa festa desvairada que o pernambucano faz questão de manter a tradição mas sempre abrindo espaço para o novo. E é justamente em Olinda e Recife onde há a maior concentração de blocos, orquestras de frevo e foliões. E é essa festa, o nosso carnaval, que nos salva, que dá leveza à alma e ajuda a suportar a dureza da vida. Tem até um frevo - entre muitos- que revela o quanto o carnaval é importante em nossas vidas, que diz assim: " É de fazer chorar quando o dia amanhece e obriga o frevo a acabar, oh quarta-feira ingrata, chega tão depressa, só pra contrariar!". Fabinho Trummer, como bom folião, sabe disso. Tanto que já gravou esse frevo com a Eddie, naturalmente naquele estilo original de Olinda.
Aliás, pra quem não sabe, a música "quando a maré encher", gravada pela Nação Zumbi (outra banda que influencia a Eddie) e que ficou famosa na voz da saudosa Cássial Eller, é um frevo da Eddie, um frevo-rock. Fabinho, moço leve e despretensioso, sabe das coisas.
PS 1: na postagem acima vocês viram/ouviram, os vídeos do frevo Bairro Novo/Casa Caiada (nomes de dois bairros de Olinda) e da indignada "eu tô cansado dessa merda" na voz de Karina Buhr (participação especial). Ainda indico a audição do sambinha cafajeste "me diga o que não foi legal" e de "gafieira na avenida". Você pode ouvi-las aqui. Ou melhor, se possível, ouça o disco todinho, todinho. Esse carnaval, ainda que no inferno, é primoroso!
PS 2: perdão, infelizmente pensei que as músicas indicadas acima estavam disponíveis no myspace da Eddie. De todo modo tem outras músicas lá. E no youtube tem outros vídeos.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Touche pas à mon pote!

Forças de paz ou forças de repressão?
- uma contra-informação
" A situação é dez vezes pior do que imaginava. Ouvindo uma rádio do Haiti e conversando com amigos jornalistas que estão lá, o cenário é desolador e revoltante. A polícia nacional e as forças de paz estão atirando nas pessoas que vão buscar comida nos hospitais. Estão abrindo fogo contra o povo faminto" (Franck Seguy, professor haitiano)
Franck Seguy e sua esposa, Michaelle Desroisers, são professores da Universidade Estadual do Haiti. Ambos acabaram de concluir mestrado na área de serviço social na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e estavam prontos para voltar ao Haiti, quando souberam do terremoto.
Foto de Franck Seguy, citação e informações: Jornal do Commercio, Recife, 16 de janeiro de 2010.
PS: a expressão francesa que dá nome a esta postagem é o slogan do movimento SOS Racismo da França e significa, em bom brasileiro, algo como: "Não mexa com meu companheiro!"
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
da indignação
Quando eu tinha por volta dos meus 20 e poucos, até 30 e poucos anos, em ano eleitoral, era capaz de arrumar uma discussão com qualquer pessoa desconhecida que falasse mal do meu candidato e da esquerda. Isso acontecia, basicamente, dentro de algum ônibus urbano, enquanto ouvia a conversa entre dois sujeitos ou duas comadres com aquele tipo de papo conservador e reacionário. De repente meu sangue começava a esquentar até entrar em ebulição. Dizia para mim mesma que daquela vez iria me controlar, mas não tinha jeito, acabava me metendo na conversa com um estilo, digamos: "hay que endurecerse pero sin perder la ternura...". Com o passar dos anos me tornei menos impulsiva mas não menos indignada: Se o Amor é aquele que conhece a Verdade, o Ódio é aquele que pode tomar de assalto a Mentira.
Ando extremamente irritada com a maneira que a imprensa corporativa vem tratando de maneira superficial e parcial - o que não é novidade - a polêmica sobre o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH). Meu aborrecimento chegou a tal ponto que noite passada acordei sobressaltada de um sonho bastante realista no qual brigava com um passageiro de ônibus que criticava o governo exatamente por causa do dito Plano. Remeti-me imediatamente aos meus anos impulsivos... Mas voltando à polêmica, me irrita ver a imprensa falando que "o Plano tem críticas de diversos setores da sociedade" sem deixar claro que esses "diversos setores da sociedade" são apenas a própria imprensa corporativa, a Igreja, os militares, os ruralistas e evidentemente a oposição (leia-se PSDB e DEM), ou seja, as forças mais anti-democráticas e avessas à liberdade, aqueles que sempre estiveram no poder. Enquanto isso, Ongs e entidades de direitos humanos apóiam o PNDH e estão lutando para que não sofra alterações.
Pois bem, estamos em ano eleitoral, Lula já disse que não será o "Lulinha Paz e Amor" na próxima eleição. Espero que assim seja, desde já: Um pouco de Ódio é sempre bem-vindo.
Ando extremamente irritada com a maneira que a imprensa corporativa vem tratando de maneira superficial e parcial - o que não é novidade - a polêmica sobre o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH). Meu aborrecimento chegou a tal ponto que noite passada acordei sobressaltada de um sonho bastante realista no qual brigava com um passageiro de ônibus que criticava o governo exatamente por causa do dito Plano. Remeti-me imediatamente aos meus anos impulsivos... Mas voltando à polêmica, me irrita ver a imprensa falando que "o Plano tem críticas de diversos setores da sociedade" sem deixar claro que esses "diversos setores da sociedade" são apenas a própria imprensa corporativa, a Igreja, os militares, os ruralistas e evidentemente a oposição (leia-se PSDB e DEM), ou seja, as forças mais anti-democráticas e avessas à liberdade, aqueles que sempre estiveram no poder. Enquanto isso, Ongs e entidades de direitos humanos apóiam o PNDH e estão lutando para que não sofra alterações.
Pois bem, estamos em ano eleitoral, Lula já disse que não será o "Lulinha Paz e Amor" na próxima eleição. Espero que assim seja, desde já: Um pouco de Ódio é sempre bem-vindo.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Som de Pernambuco -2
Coco Raízes de Arcoverde
Ainda lembro a primeira vez que vi/ouvi uma apresentação do Coco Raízes de Arcoverde. Foi num carnaval daqui de Recife e já faz um tempo... Lembro da alegre emoção que senti. Não sabia se olhava para o grupo no palco ou se me largava a dançar coco (adoro!). Mas o que é que esse coco de Arcoverde tem de especial?
Arcoverde é a porta do sertão pernambucano. Lá respira-se poesia, poesia de aboio, de embolada e de violeiro. E esse coco raízes ainda se mistura com os ritmos indígenas do povo Xucuru. Mestre Calixto (já falecido), puxador de reisado*, pífano e coco, foi quem o criou (1992) e atualmente esse coco do sertão é levado pelas famílias dos Calixtos e dos Gomes. É lindo demais ver as meninas e os meninos cantando, dançando e tirando som do ganzá, do pandeiro e dos pés... Sim, dos pés! Em termos rítmicos, esse é o principal diferencial do Coco Raízes de Arcoverde: calçando tamancos de madeira, o grupo dança o trupé, tirando som do "sapateado". E há uma alegria tão doce e inocente, nas expressões, nos sorrisos, nos olhares, coisa tão rara de se ver em nossas metrópoles, que fico comovida, de verdade.
Selecionei dois vídeos que achei no youtube: um institucional, do projeto Rumos do Itaú cultural, e outro amador, onde dá pra ouvir melhor o som do trupé.
* Reisado é um folguedo popular do qual falarei em outra oportunidade.
Ainda lembro a primeira vez que vi/ouvi uma apresentação do Coco Raízes de Arcoverde. Foi num carnaval daqui de Recife e já faz um tempo... Lembro da alegre emoção que senti. Não sabia se olhava para o grupo no palco ou se me largava a dançar coco (adoro!). Mas o que é que esse coco de Arcoverde tem de especial?
Arcoverde é a porta do sertão pernambucano. Lá respira-se poesia, poesia de aboio, de embolada e de violeiro. E esse coco raízes ainda se mistura com os ritmos indígenas do povo Xucuru. Mestre Calixto (já falecido), puxador de reisado*, pífano e coco, foi quem o criou (1992) e atualmente esse coco do sertão é levado pelas famílias dos Calixtos e dos Gomes. É lindo demais ver as meninas e os meninos cantando, dançando e tirando som do ganzá, do pandeiro e dos pés... Sim, dos pés! Em termos rítmicos, esse é o principal diferencial do Coco Raízes de Arcoverde: calçando tamancos de madeira, o grupo dança o trupé, tirando som do "sapateado". E há uma alegria tão doce e inocente, nas expressões, nos sorrisos, nos olhares, coisa tão rara de se ver em nossas metrópoles, que fico comovida, de verdade.
Selecionei dois vídeos que achei no youtube: um institucional, do projeto Rumos do Itaú cultural, e outro amador, onde dá pra ouvir melhor o som do trupé.
* Reisado é um folguedo popular do qual falarei em outra oportunidade.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Som de Pernambuco - 1
Agora que eu descobri como botar vídeo aqui no blogue, vez em quando vou sapecar um. Esse é de Junio Barreto, um caruaruense arretado! Já falei sobre o primeiro disco dele aqui, que inclui a música do vídeo acima: Se vê que vai cair deita de vez.
Ouçam e curtam!
Não vou falar mais nada não que o tempo não está muito a meu favor...
beijos.
PS1: pra quem não sabe, caruaruense é quem nasce em Caruaru, município do agreste pernambucano. Ah, no final tem, pra quem tiver interesse, outra música dele : Qualé mago?
E outros vídeos também.
PS2: só agora percebi que o vídeo não toca até o fim, que droga! mas ao menos dá pra curtir uma palhinha...
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
uma música que eu amo numa versão delicadíssima
Sexual Healing de Marvin Gaye é maravilhosa em sua versão original, cheia de suingue e malícia. Mas Ben Harper, artista de rara sensibilidade, cometeu a proeza de transformá-la numa belíssima balada romântica. Deu no que deu. Lindo, não?
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
das palavras
Justamente no dia mais pleno de vazio, Luísa estava cheia, quase transbordante, de emoções. Queria palavras loucas, diabólicas e divinas para inventar uma outra realidade. Estava disposta a pôr em prática seu poder de mágica que não aprendera em aulas de magia mas na experiência da dor. Dor que Luísa mandava às favas no exercício de caçar palavras.
- Mas eu não caço, eu cato palavras - disse Luísa - porque elas estão todas aí pra todo mundo ver, saltando das bocas das pessoas: palavras delicadas ou severas, doces ou amargas, submissas ou indignadas, gritando dores ou sussurrando libertinagens...
E assim Luísa saiu à cata de palavras com o firme propósito de criar uma nova realidade, preenchendo vazios, fazendo mágica... Encontrou as palavras loucas, diabólicas e divinas que tanto queria e dentre elas escolheu justamente a mais fluvial, a mais transbordante, rebento de nuvens e de chuva: a palavra Amor.
- Mas eu não caço, eu cato palavras - disse Luísa - porque elas estão todas aí pra todo mundo ver, saltando das bocas das pessoas: palavras delicadas ou severas, doces ou amargas, submissas ou indignadas, gritando dores ou sussurrando libertinagens...
E assim Luísa saiu à cata de palavras com o firme propósito de criar uma nova realidade, preenchendo vazios, fazendo mágica... Encontrou as palavras loucas, diabólicas e divinas que tanto queria e dentre elas escolheu justamente a mais fluvial, a mais transbordante, rebento de nuvens e de chuva: a palavra Amor.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
da memória
Dona Maria tem 77 anos e já não consegue reter quase nada na memória: faz a mesma pergunta diversas vezes; não toma banho porque pensa que já tomou ou toma vários porque esquece que já tomou; adora sorvete mas não lembra que saboreou um há minutos atrás. Raquel, sua filha, a leva para passear de vez em quando mas ao voltar Dona Maria já nem se lembra que saíra de casa. Raquel se questiona sobre o sentido de levá-la para passear :
- De que vale uma manhã de lazer se ela não consegue lembrar depois? A vida tem sentido sem lembranças?
Naquela manhã de primavera Raquel levara sua mãe ao parque, pensou nela apreciando o viço das plantas e o colorido das flores. Aquela manhã Dona Maria já esquecera mas à tardinha cantava uma canção enquanto regava suas plantas na varanda. Raquel a observou comovida e sorriu: pensou que de alguma forma Dona Maria registrara o passeio, se não na memória, em seu corpo, na memória dos sentidos.
- De que vale uma manhã de lazer se ela não consegue lembrar depois? A vida tem sentido sem lembranças?
Naquela manhã de primavera Raquel levara sua mãe ao parque, pensou nela apreciando o viço das plantas e o colorido das flores. Aquela manhã Dona Maria já esquecera mas à tardinha cantava uma canção enquanto regava suas plantas na varanda. Raquel a observou comovida e sorriu: pensou que de alguma forma Dona Maria registrara o passeio, se não na memória, em seu corpo, na memória dos sentidos.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
meu artífice (em sonho)
em sua boca meus seios foram moldados
em sua língua meu sexo foi esculpido
minha carne foi tingida da cor do seu amor
minha epiderme assumiu a textura da sua dor
sou obra sua
você me recriou
junho/2008
junho/2008
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