segunda-feira, 19 de maio de 2008

A Inocência

O conto a seguir foi escrito e publicado originalmente em 2006, em meu antigo blogue (já desativado), com o título: As Cartas.

Magnólia não gostava de emeios. Ela gostava de cartas, todo tipo de carta: cartas de baralho, cartas de tarô, cartas geográficas e também aquele tipo de carta escrita à mão que algumas pessoas ainda enviam umas para as outras, via Correio.

Alguém aí já enviou cartas de amor pelo Correio?

Por gostar tanto de cartas Magnólia acabou indo trabalhar no Correio de sua pequena cidade, Grafolândia, e especializou-se em abrir e fechar os envelopes das cartas sem que ninguém percebesse. Ela fazia isso não porque fosse mexeriqueira ou tivesse interesse no conteúdo das cartas mas sim porque gostava de apreciar a grafia das letras. E as grafias eram muitas e diversas: umas gordinhas e baixinhas, outras magras e altas, umas inclinadas para o lado direito, outras inclinadas para o lado esquerdo, algumas bastante claras e legíveis, outras muito barrocas, quase ilegíveis. E eram estas últimas as suas prediletas porque podia ater-se totalmente na grafia: como disse anteriormente, à Magnólia não interessava o conteúdo das cartas.

Aí então ela tirava cópia dessas cartas na copiadora vizinha ao correio e o dono da xerox era seu conivente e apreciador da técnica do calígrafo.

O que Magnólia fazia depois com essas cópias?

Bem, ela datava-as, emoldurava-as e pendurava-as nas paredes da sua singela casinha como verdadeiras obras de arte junto às cartas geográficas, às cartas de baralho e às cartas de tarô.

6 comentários:

Moacy Cirne disse...

Sandra, lembro-me de ter lido esse conto; lembro-me de ter gostado dele, de sua delicadeza, de sua singela trama, de sua Magnólia. Pois é, continuo gostando. Do mesmo jeito. Com o mesmo carinho. Um beijo.

Jens disse...

Oi Sandrix.
Romântica, a Magnólia. Ingênua, a Magnólia. Delicada, a Magnólia. Solitária, a Magnólia. Mas não me parece triste, a Magnólia. Bonita a Magnólia. Assim como você.
Um beijo.

R.C disse...

Interessantissimo, Sandra. Adorei!

bjx

RF

sandra camurça disse...

MOACY, ainda me lembro que, na época, você disse que esse texto daria um belo curta de cinema. Grata. Um beijo.

JENS e ROY, muy grata! Beijos.

orlando pinhº d-silva disse...

entre letras o amor
entre cartas o amor
palavras palavras palavra amor
um amor a arte tear até o ar amor
-"o amor é filme"-
signagem o amor em busca de tramas e cenários ideais.
simples história assim; "nossa esperança de amor"
salve camurça!

Marcelo F. Carvalho disse...

Sandra, como adorei o conto e o comentário do Jens, fico assim, meio sem ter o que escrever, mas querendo escrever! Talvez para a Magnólia.
Abraço forte!