sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

A Sombra (Parte 5 - Final)

Euclides era do interior, morou em Catende e lá iniciou sua vida artística pintando cartazes que anunciavam os filmes que passavam na cidade. Adorava cinema desde criança. Cresceu, virou artista e quando foi morar em Olinda começou a pintar cenas de festas populares e do Carnaval, que tanto amava. Euclides, como era de se esperar, também não suportava mais aquela sombra. E o prazer que desfrutava ao ficar na janela olhando as pessoas nas ruas, desaparecera mas ele pelejava e pintava e brincava e depois fazia uma fezinha no jogo e dizia: Coloco 10 mirréis bajado no bicho! Ninguém entendia nada...

Esses foram apenas alguns causos, frutos do grande mal estar causado pela grande sombra. Teve mais, é claro, como o caso da moça que só sentia tesão nas auroras orvalhadas mas que na falta do raiar do dia esquecera o sabor da gala do seu amor. Ou ainda da coruja que virou zumbi porque não tinha a luz do sol para dormir. E todos doíam de angústia e melancolia. As margaridas começavam a murchar. O grande baobá perdia sua robustez e exuberância. E o rio caudaloso parecia cada dia mais nervoso, correndo veloz como se quisesse fugir àquela tenebrosa sombra. Mas a sombra, por obra e graça de não sei o quê ou quem, desapareceu num dia atípico de Zé Pereira. Difícil de explicar como isso aconteceu. Seu Euclides “Bajado” ficou rindo à toa. Mas quando os clarins momescos ressoaram, um raio de sol rasgou a espessa camada de chumbo da medonha sombra e um gigantesco Galo cocoricou tão alto mas tão alto que as Vassourinhas enfeitiçadas agitaram-se e varreram a nuvem ameaçadora nuvem do céu azul celestial. E uma alegria escandalosa tomou de assalto a multidão. E a felicidade reinou para sempre até a quarta-feira de cinzas.
Foi de fazer chorar...



Feliz Carnaval!

Mas olha, eu não encaro o Galo não. É gente demais. Gosto de brincar onde possa circular e dançar com mais facilidade: Sou espaçosa...
Beijão!

2 comentários:

Jens disse...

Sandrinha:
Do c***! Muito, muito legal.
"...quando os clarins momescos ressoaram, um raio de sol rasgou a espessa camada de chumbo da medonha sombra e um gigantesco Galo cocoricou tão alto mas tão alto que as Vassourinhas enfeitiçadas agitaram-se e varreram a nuvem ameaçadora do céu azul celestial. E uma alegria escandalosa tomou de assalto a multidão. E a felicidade reinou para sempre até a quarta-feira de cinzas. Foi de fazer chorar..."
Não foi de fazer chorar, minha doce amiga; foi de arrepiar.
Que belo presente de carnaval. Pela parte que me toca, muito obrigado.
Por essas e outras sou apaixonado por você.
Um beijo.

Jens disse...

PS: aparece lá em casa. O boteco continua aberto no carnaval.
Bye.